• Terça, 26 de Maio de 2026

MS lidera suicídio indígena e tem 3º maior número de homicídios

Dados mostram redução ao longo da década, mas cenário ainda é de violência crônica

GENIFFER VALERIANO / CAMPO GRANDE NEWS


Manifestação cultural terena (Foto: Osmar Veiga)

Mato Grosso do Sul segue como um dos estados mais violentos para a população indígena no Brasil, segundo o Atlas da Violência divulgado nesta terça-feira (26), com dados de 2014 a 2024. Apesar de leve melhora em alguns indicadores ao longo da última década, o Estado ainda concentra alguns dos piores índices do país, especialmente em homicídios e suicídios.

O levantamento aponta que a violência contra indígenas no Brasil tem características diferentes da violência urbana, estando mais associada a conflitos territoriais e pressões sobre terras do que ao crime organizado. Nesse cenário, Mato Grosso do Sul aparece de forma recorrente entre os estados mais críticos, ao lado de Amazonas, Roraima e Rio Grande do Sul.

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Mesmo com queda ao longo dos anos, os números de homicídios seguem elevados. Em 2014, a taxa era de 348,2 por 100 mil habitantes, chegando a 470,5 em 2016. Em 2024, caiu para 122,8, mas ainda permanece muito acima da média nacional, de 27,3.

Em números absolutos, foram 34 assassinatos em 2024. O Atlas chama atenção para um paradoxo: “a redução relativa acompanhada de manutenção em patamares elevados evidencia a persistência de um contexto de violência crônica, no qual, mesmo com avanços, o risco de vitimização permanece acima da taxa nacional'.

No ranking nacional de homicídios indígenas em 2024, Mato Grosso do Sul aparece em terceiro lugar, atrás do Amazonas (73) e Roraima (60). O estudo também destaca que, em estados como MS, a taxa de homicídios de indígenas supera a de não indígenas, indicando maior exposição à violência.

Se nos homicídios o cenário já preocupa, no caso dos suicídios a situação é ainda mais grave. Mato Grosso do Sul apresenta a maior taxa de suicídio indígena do Brasil, com 151,8 mortes por 100 mil habitantes em 2024. O índice é cerca de sete vezes maior que a média indígena nacional e quase 20 vezes superior ao da população brasileira em geral.

Em números absolutos, foram 42 mortes no Estado no último ano. Embora o Amazonas lidere em números totais, com 83 casos, o que se explica pelo tamanho da população indígena, Mato Grosso do Sul se destaca negativamente pela taxa proporcional, a mais alta do país. Roraima aparece em seguida, com 26 casos, seguido por Paraná (11) e Tocantins (8).

O Atlas da Violência aponta que esses altos índices estão diretamente ligados a fatores estruturais, como conflitos fundiários históricos, confinamento territorial, pressão sobre modos de vida tradicionais e precariedade nas condições de vida. Esses elementos intensificam o sofrimento psicossocial e ajudam a explicar o elevado número de suicídios entre indígenas, especialmente na região Centro-Oeste.

Os dados indicam que, mesmo com oscilações ao longo da década, a violência contra povos indígenas permanece fortemente associada a desigualdades históricas e à falta de proteção territorial. O relatório conclui que há uma “recomposição da desigualdade letal': embora alguns indicadores tenham melhorado, os índices continuam elevados justamente nas regiões mais vulneráveis, evidenciando a persistência de estruturas históricas de exclusão.

De forma geral, o estudo reforça que o enfrentamento da violência contra populações indígenas exige políticas públicas específicas, com foco territorial, abordagem intercultural e participação direta das comunidades, já que soluções universais têm se mostrado insuficientes para lidar com a complexidade do problema.

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Procure ajuda – Em Campo Grande, o GAV (Grupo Amor Vida) presta apoio emocional gratuito a pessoas em crise pelo número 0800 750 5554. Também é possível buscar atendimento no Núcleo de Saúde Mental ou no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), ou pelo telefone e 188 do CVV (Centro de Valorização da Vida). Em situações emergenciais, os números 190 da PM (Polícia Militar) e 193 do Corpo de Bombeiros podem ser acionados.



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