Esportes
Em novo clube, Walter conta como perdeu quase 50 quilos e afirma: "Tenho mais dois anos de futebol"
Com passagens por Inter, Athletico e Fluminense, entre outros clubes, centroavante de 36 anos diz ter chegado aos 140 quilos; atualmente com 95, já pensa em como será a vida quando parar
GLOBOESPORTE.COM / RAFAEL FAVERO
Walter está de volta ao Rio Grande do Sul. O centroavante de 36 anos é reforço do Farroupilha, de Pelotas, que disputa da Copa Federação Gaúcha de Futebol (FGF). Anunciado oficialmente no sábado, o jogador ainda aguarda regularização no Boletim Informativo Diário da CBF para estrear.
Para o jogador lançado no Inter em 2008, o retorno ao Rio Grande do Sul é mais um capítulo da história que escreve desde o início da carreira: a luta contra o sobrepeso. Walter vive momento raro. Vai jogar com menos de 100 quilos. Atualmente, está na casa dos 95, conforme conta em conversa com o ge.
Com passagens por Porto, Cruzeiro, Fluminense, Athletico, Goiás, entre outros clubes, o centroavante não tem permanência garantida para a disputa da Terceirona Gaúcha, prevista para começar em setembro. Pelo contrário, diz ter pré-contrato para julho assinado com outro clube, que prefere não revelar.
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Walter chega ao Farroupilha com salário pago por um patrocinador. A equipe de Pelotas busca se reerguer após se licenciar do futebol em 2025 e vender seu tradicional estádio. Atualmente, tenta construir outro em meio a dificuldades financeiras.
No campo familiar, Walter também está em momento especial. Aguarda para as próximas semanas o nascimento da terceira filha, Melinda, fruto do relacionamento com Maria de Fátima, que ficou em Maceió, onde a família assentou morada.
A distância da esposa em fase tão importante fez com quase desistisse de acertar com o Farroupilha. O plano era ficar em casa após rescindir o contrato com o Atlético de Alagoinhas-BA. Mas a viagem para acompanhar o nascimento da filha já está garantida, independente do calendário de jogos.
Na entrevista, Walter fala sobre a busca pelo emagrecimento, que começou em 2024, quando os 140 quilos comprometeram sua passagem pelo Rolim de Moura, de Roraima, pelo qual disputou apenas uma partida. O mesmo havia ocorrido no ano anterior, pelo São Borja, no Rio Grande do Sul.
O jogador faz acompanhamento até hoje em uma clínica de emagrecimento saudável em São Paulo. Ele comenta sobre as restrições, os lanches que adorava. E também já visualiza o final da carreira: projeta ter mais dois anos no futebol. Contudo, não pretende se afastar do esporte.
No retorno ao Rio Grande, o pernambucano não deixa de mencionar uma reclamação antiga. Quer a medalha de campeão da Libertadores de 2010 pelo Inter. Ele foi vendido ao Porto em julho daquele ano, antes do final da competição, mas sente-se um campeão. Disputou oito jogos no torneio continental e marcou dois gols.
Confira trechos da entrevista:
ge – Como você veio parar no Farroupilha? Walter – Meu foco era ir para casa, cuidar da minha esposa. Minha esposa vai ter uma filha. O médico fala que [o nascimento] é do 25 ao dia 30. Eu falei que queria ficar esses dias perto dela. Os caras me caçaram, aqui do Farroupilha, conversaram, conversaram, eu falei que não. Sendo bem verdadeiro, eu não queria vir por isso mesmo, entendeu? Ficar perto da minha esposa. Ele falou: "Cara, me ajuda, a imprensa já está sabendo que tu ia vir, vai ficar difícil para mim". E olhei também a história do clube, 100 anos de história esse ano fez, não é qualquer time que faz 100 anos. O Farroupilha é um time grande aqui de Pelotas, que está dormindo ainda. Só que o pessoal aqui quer que o time cresça cada vez mais. Alguns patrocinadores também estão ajudando para cada vez melhorar.
Outros clubes se interessaram por você nesse período? A gente teve uma conversa com o presidente do Bagé. Uma conversa muito bacana com o presidente. Ele passou o momento, fez a proposta, não achei ideal. Eu também não queria vir. Já estou com um pré-contrato para julho.
Esse pré-contrato ainda está de pé? Sim, mas por enquanto não posso falar qual clube é.
Como foi a tua experiência mais recente no futebol, pelo Atlético de Alagoinhas? Eu queria jogar mais. Eu estou com vontade. Podia ter atuado mais. Eu estava bem para jogar mais, mas não joguei tanto no Campeonato Baiano. Depois, no campeonato da Série D, entrei numa partida, fui muito bem. Para mim, depois daquele jogo, eu ia virar titular, ia jogar pelo menos. O treinador optou pelo mesmo time. E eu entendi, fiquei um pouquinho chateado. Falei que era melhor a gente fazer um acordo e foi resolvido.
Em 2023, você deixou o Pelotas atritado com a torcida. Sofreu muitas criticas porque perdeu um dos pênaltis que culminaram na eliminação nas quartas de final da Divisão de Acesso. Agora, é uma oportunidade de deixar uma imagem mais legal na cidade? O torcedor escolhe um. Naquele momento, não tinha condição nenhuma de jogar, pelo meu peso. Consegui emagrecer um pouco, ajudar meus companheiros. Mas não foi só eu que errei. Erramos quatro pênaltis. Mas o torcedor optou, escolheu um. E está tudo bem. Estou acostumado. Não perdi porque eu quis. Aquele momento foi bem difícil para mim.
De lá para cá, a sua vida se transformou naquilo que é tua maior luta: o sobrepeso. Você perdeu quase 50 quilos, é isso? Cara, é loucura. Eu estava com 140 quilos no Rolim de Moura (em 2024). Hoje, estou com 95, 96 quilos. Chega a 94. Eu até falei para a minha esposa: "Agora a gente precisa fazer uma lipo". A sua gordura (pele) fica muito mole, entendeu? Você perde muito peso. Aí você tem que fazer uma academia, um trabalho e tal. É isso que eu estou fazendo. Graças a Deus, hoje eu posso atuar, jogar mais tempo e, preparado, ajudar meus companheiros. Isso é o mais importante.
Como você fez para perder esse peso? Cara, eu tive que me trancar em São Paulo. Tem o doutor Danilo, que é um cara que acreditou em mim. Um tratamento muito importante. Eu também precisava cuidar, né? A gente tem que cuidar de algo que a gente come. Tirar as besteiras, tirar o açúcar, essas coisas. Eu acho que, no meu caso, não foi nem para eu voltar a jogar futebol. No meu caso, foi minha saúde. Eu estava muito mal de saúde. E eu fazia os exames, os exames tudo alto. E não conseguia dormir, tipo uma coisa assim absurda. Voltar a jogar estava em segundo plano. Meu primeiro plano foi minha saúde.
Eu ainda vou a São Paulo fazer algumas coisas, essa correria, eu já fui, já voltei, ainda tenho que ir lá, pessoalmente, passar algumas coisas. E tipo, se você for sozinho, você não vai chegar em nada, você não consegue. Foi junto com a minha família, com a minha esposa, minha sogra, junto com o doutor, com os profissionais que trabalham com ele. A gente fez um projeto muito bacana e graças a Deus deu tudo certo.
É um tratamento na área da nutrição? Isso. Eu não sei te explicar direito. Tem muitos tipos (de tratamentos) que ele faz. Ele cuida da alimentação mesmo, passa remédios.
Para controlar o peso, você também tem ajuda de profissional da área da psicologia? Sem dúvida. Eu já tinha feito lá no Athletico. Deu muito certo. Como eu deixei de fazer, eu engordei tudo de novo. A nossa cabeça é tudo, nossa mente é tudo. Você bem com a mente, você vai fazer as coisas, sem dúvida. Ele (o médico de São Paulo) me passou também. A gente teve uma conversa também com a doutora (psicóloga), a gente bateu um papo. Lógico que hoje muito menor esse papo, mas sempre com cuidado para não voltar tudo de novo.
O que você teve que parar de comer? Lanche, né. À noite, eu comia muito lanche. Açúcar no café, no suco, essas coisas. No meu caso era lanche. "Ah, vamos lanchar cachorro-quente, xis, hambúrguer, comer pão à noite". Essas coisas me engordavam. Comia e ia dormir. Doces também, que eu tenho essa vontade muito grande. Ainda tenho. Mas com um controle maior hoje.
Não chegou a fazer uso dessas canetas emagrecedoras que estão em alta hoje em dia? Não cheguei, não. Mas eu tenho esperanças de tomar umas aí para ver como que vai resolver isso. Isso aí eu tomei lá no Athletico, que não tinha saído ainda, em 2016. Não tinha saído ainda (ao grande público). Só que você, se não souber a dose direitinho, não tiver um médico para te cuidar, para te dar cultura, você fica bem mal.
No Instagram, você se identifica também como influenciador. Como é esse teu outro lado? Eu estou muito pouco nas redes sociais. O meu conteúdo é onde eu estiver. Se meu time está bem, o conteúdo aumenta, vamos dizer assim. E o meu time não tinha ganhado um jogo no Baiano, não tinha ganhado um jogo na Série D. A gente estava muito mal. E aí meio que perdi alguns seguidores no meu Instagram. Parei um pouquinho para focar mais no futebol. Agora, estou voltando mais para gravar. Vou gravar no dia a dia, no treino, para voltar aquilo lá, que é algo que eu gosto, passar meu dia a dia para as pessoas que me acompanham. Vou passar meu dia a dia aqui no Farroupilha, no frio, na hora que me acordar, na hora do treino, a realidade do clube.
Você está com 36 anos, uma idade na qual naturalmente os atletas já pensam na aposentadoria. Pretende jogar até quando? Aqui no Sul é meu último clube. Não volto mais para o Sul. Se eu voltar para o Sul é para jogar uma Série A do Gauchão, que é em janeiro, mas copinha, segunda divisão, terceira divisão, não me pega. Pode dar o dinheiro que for que eu não venho. É sofrido demais. Eu estou com problema no meu joelho. E tenho que me cuidar, com uma academia a mais. Quem tem essa dor, sabe. O joelho dói mais no frio. E eu sofro mais um pouco. Muita vezes, chove e a gente não vai treinar no campo. Vai treinar no sintético, no campo duro, que é aí que atrapalha um pouquinho mais o jogo.
Por isso, eu tenho na minha cabeça, (de jogar) até o ano que vem, 2027, ou 2028. Não passa disso. Eu quero mais é estudar para virar um treinador, um auxiliar, passar minha experiência para os meninos. Ou quem sabe também ser um empresário de jogador de futebol. É uma coisa que eu gosto também. Para dar uma vida melhor para aqueles meninos. Coisas que eu queria que meu empresário fizesse comigo, eu fazer com os meninos. É mais ou menos isso. Eu penso que tenho mais dois anos no futebol. Acho que mais do que isso aí eu não consigo. Não posso render mais aquilo mais de dois anos.
Há cerca de dois anos, você me contou em uma entrevista que não tinha recebido a medalha de campeão da Libertadores de 2010 pelo Inter. Como está essa situação? Te agradeço por tocar nesse assunto. Internacional, me mande minha medalha. Rapaz, eu saí campeão. Me sinto campeão da Libertadores. Eu cheguei até a semifinal (na verdade, foi até as quartas). Por favor, me mande minha medalha, até agora não chegou minha medalha.
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Coronel Sapucaia
