Coronel Sapucaia
Brasil cria dia em memória das vítimas da covid, que matou 11,3 mil em MS
Lula afirma que homenagem nacional lembra 700 mil mortos pela pandemia
GUSTAVO BONOTTO / CAMPO GRANDE NEWS
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta segunda-feira (11), em Brasília (DF), a lei que cria o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19. A data será celebrada em 12 de março, dia da primeira morte causada pela doença no Brasil, registrada em 2020, em São Paulo (SP). No âmbito local, a pandemia deixou 11.385 mortos e 755.156 casos confirmados desde o início da crise sanitária, conforme dados da SES (Secretaria de Saúde Estadual).
Durante a cerimônia no Palácio do Planalto, o petista criticou a condução da pandemia no governo anterior e defendeu a preservação da memória das vítimas.
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“Se a gente não faz isso, cai no esquecimento. E é tudo que eles desejam, que caia no esquecimento', afirmou o presidente durante o evento. A cerimônia reuniu ministros, profissionais de saúde e familiares de vítimas da covid. A primeira-dama Janja da Silva se emocionou ao lembrar da morte da mãe, Vani Ferreira, em 2020. Ela afirmou que jamais esquecerá o impacto da pandemia e criticou a resistência à vacinação no País.
Durante o evento em Brasília, Lula afirmou que o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19 terá caráter permanente para lembrar os impactos da pandemia e combater a desinformação sobre vacinas. O presidente também disse que o País precisa reconhecer o trabalho de profissionais da saúde e reforçar políticas públicas voltadas à prevenção de novas emergências sanitárias.
A lei sancionada pelo governo federal teve origem em projeto aprovado pelo Congresso Nacional neste ano. Segundo o Ministério da Saúde, a iniciativa busca preservar a memória coletiva sobre a pandemia e fortalecer ações de conscientização sobre vacinação e saúde pública.
Além da sanção da lei, o Ministério da Saúde lançou a instalação “Cada Nome, Uma Vida', montada no Palácio do Planalto em homenagem às mais de 700 mil vítimas da covid no Brasil. A exposição ficará aberta à visitação até 19 de maio. O governo federal também organizou projeções em monumentos de seis capitais brasileiras com nomes de mortos pela doença e mensagens de valorização do SUS (Sistema Único de Saúde) e dos profissionais da saúde.
Em dados - O ano de 2021 concentrou os piores indicadores em Mato Grosso do Sul. Naquele período, o Estado registrou 246.644 casos confirmados e 7.358 mortes por covid. A taxa de letalidade chegou a 3%, enquanto a mortalidade atingiu 259,2 óbitos por 100 mil habitantes.
Na época, hospitais públicos e privados enfrentaram superlotação, cidades adotaram toque de recolher e pacientes aguardaram vagas em UTIs (Unidades de Terapia Intensiva). O avanço da variante Gama elevou a transmissão do vírus e aumentou a pressão sobre o sistema de saúde em todo o Estado.
Em 2020, primeiro ano da pandemia, Mato Grosso do Sul contabilizou 133.761 casos e 2.397 mortes. Já em 2022, com maior cobertura vacinal e redução das internações graves, o número de vítimas caiu para 1.207, apesar dos mais de 212 mil diagnósticos positivos registrados naquele ano.
Os boletins seguintes mostraram desaceleração contínua dos indicadores. Em 2023, a SES registrou 29.277 casos e 219 mortes. Em 2024, foram 11.998 confirmações e 135 óbitos. Já em 2025, o Estado contabilizou 8.564 casos e 60 mortes provocadas pela doença.
O boletim epidemiológico mais recente da SES, referente à 15ª semana de 2026, aponta 1.124 casos e sete mortes neste ano em Mato Grosso do Sul. Campo Grande concentra o maior número de registros, com 135 casos e três mortes em 2026.
Os dados estaduais também mostram mudança no perfil da doença nos últimos anos. Em 2026, adultos entre 20 e 39 anos concentram a maior parte das notificações. Pessoas de 30 a 39 anos representam 19,3% dos casos registrados neste ano, enquanto a faixa de 20 a 29 anos soma 17,4%. Mulheres concentram 63,6% das confirmações atuais no Estado.
