Coronel Sapucaia
Onça morta em MS reacende debate sobre projeto para reduzir massacre em rodovias
Após 11 anos de tramitação, PL 466 pode ser votado por parlamentares no Dia da Terra
ANAHI ZURUTUZA / CAMPO GRANDE NEWS
A mobilização nas redes sociais após a morte de uma onça-pintada atropelada na BR-262 no fim de semana voltou a colocar em evidência a tramitação do Projeto de Lei 466, de 2015, na Câmara dos Deputados. O caso ganhou repercussão depois que o biólogo e fotógrafo de natureza Gustavo Figueirôa, um dos diretores da SOS Pantanal, divulgou um vídeo pedindo pressão popular para acelerar a votação da proposta.
O projeto, que tramita há 11 anos, prevê a obrigatoriedade de medidas de mitigação em novos empreendimentos rodoviários, como passagens de fauna silvestre e cercamento de trechos críticos, com o objetivo de reduzir atropelamentos de animais. Segundo Gustavo, a proposta já conta com três pareceres favoráveis, apoio de mais de 60 organizações e não registra oposição formal entre parlamentares.
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Para o conservacionista, a comoção em torno do caso vai ajudar a destravar o andamento do texto.
O PL 466 está na pauta de votação prevista para esta quarta-feira, dia 22 de abril, data em que se celebra o Dia da Terra. No entanto, a inclusão na agenda não garante que o texto será apreciado. Em sessões ordinárias, nem todos os itens pautados são votados, e a definição de prioridades cabe à presidência da Casa.
Nesse contexto, Gustavo Figueirôa fez apelo público ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos/PB), destacando que cabe a ele definir o relator e assegurar que o projeto seja efetivamente levado à votação. A campanha do biólogo nas redes sociais incentiva cidadãos a cobrarem posicionamento de deputados e da Mesa Diretora.
A discussão sobre o PL 466 ocorre em meio a um cenário de frequentes registros de atropelamento de animais silvestres em rodovias brasileiras, problema que especialistas apontam como uma das principais ameaças à fauna em diversos biomas. A possível votação do projeto é vista por ambientalistas como um passo importante para a adoção de políticas públicas mais eficazes na proteção da biodiversidade.
Cena trágica – A onça-pintada foi atropelada em trecho da BR-262 entre Miranda e Corumbá, no meio do Pantanal sul-mato-grossense. Abandonado, o macho protagonizou cena dramática ao ser gravado se arrastando por alguns metros, possivelmente com fratura na coluna, antes de morrer.
Conforme divulgado pela PMA (Polícia Militar Ambiental), a equipe foi acionada após um motorista informar que havia localizado o animal ferido na lateral da rodovia. Diante da denúncia, uma equipe seguiu para o local acompanhada do médico veterinário Gediendson Ribeiro, representante do Reprocon (Rede de Proteção e Conservação da Onça-Pintada), para verificar a situação e tentar prestar socorro ao felino, mas ele já estava morto.
Parte da orelha e os testículos da onça-pintada foram coletados para servir a pesquisas na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). Os materiais poderão ser perpetuados num clone e contribuir futuramente para a conservação da espécie, atualmente classificada como vulnerável.
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