• Terça, 19 de Maio de 2026

Mecânico acredita na honestidade e libera café fiado no semáforo

Leandro até leva calote, mas aprendeu a lidar com isso e prefere confiar nas pessoas

CLAYTON NEVES / CAMPO GRANDE NEWS


Antes mesmo do sol nascer, Leandro já se prepara para vender cafézinho a quem passa. (Foto: Arquivo Pessoal)

Antes do sol nascer em Campo Grande, o mecânico Leandro Oliveira, de 24 anos, já está de pé, com garrafas térmicas na mão e foco para ganhar dinheiro extra no semáforo. Duas horas antes de começar o expediente formal, ele vai para um ponto estratégico da Avenida Júlio de Castilho vender café a R$ 2 para quem passa.

Além do preço acessível, a confiança é um detalhe que chama atenção. Quem não tem dinheiro na hora pode levar o café e pagar depois, ou em alguns casos nem pagar. “Posso até levar calote, mas é só R$ 2', diz. Segundo ele, a maioria volta, acerta a conta e ainda ajuda divulgando o trabalho.

A ideia do cafézinho no sinaleiro surgiu do hábito de observar. Durante um almoço com um amigo, Leandro conta que não conseguia parar de fazer contas enquanto analisava o movimento ao redor. Dias depois, já na porta do trabalho, voltou a reparar no fluxo de carros parados no semáforo. Foi ali que teve o estalo. “Passava muito carro e decidi que precisava tentar', lembra.

Mesmo com apenas R$ 300 na conta, dinheiro que deveria durar o mês inteiro, ele resolveu arriscar. Comprou quatro garrafas térmicas, café, açúcar e copos, e contou com a ajuda da mãe para começar.

“O primeiro dia não foi fácil. O café ficou doce demais e vendi só duas garrafas. Mas não desisti', conta. No dia seguinte, ele ajustou a receita, entendeu melhor o gosto dos clientes e persistiu. Hoje, já vende até 4 garrafas por manhã e, em alguns dias, não sobra nada.

A rotina é puxada. Leandro acorda por volta das 5h, começa a vender às 5h30 e segue até 7h30, quando precisa sair correndo para assumir o trabalho como mecânico. A jornada é de segunda a sábado e ele não para nem com chuva. “Esses dias estava chovendo e eu achei que não ia vender nada, mas foi justamente quando vendeu mais rápido', destaca.

O movimento também cresceu nas redes sociais. Em poucos dias, Leandro saiu de cerca de 40 seguidores para mais de mil, com vídeos que já ultrapassam 20 mil visualizações. O apoio vem de amigos, clientes e até desconhecidos que passam pelo local. Alguns, inclusive, já saem de casa contando com o cafezinho dele. “Muita gente fala que já passa confiando que eu vou estar vendendo', detalha.

O ponto de venda fica na Avenida Júlio de Castilho, quase esquina com a Avenida Noroeste. De segunda-feira a sábado, Leandro está no local das 5h30 às 7h30.

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