Cotidiano
Árvore dos sonhos de Bioparque ‘esconde’ desejos mais íntimos em Campo Grande
O que acontece com os papeis quando a árvore lota? Bioparque revela destino dos desejos dos visitantes que usam o espaço para depositar seus sonhos
MIDIAMAX/JOãO RAMOS
Ao final do tanque neotrópico, o túnel aquático do Bioparque Pantanal, uma pequena árvore quase passa despercebida. Discreta, pequena e colocada sobre uma mesa num cantinho do corredor, ela abriga desejos íntimos dos visitantes que se dispõem a depositar no exemplar um pouquinho de esperança. A iniciativa tem feito sucesso, especialmente no fim de ano, quando aspirações para um futuro melhor costumam aflorar nas pessoas.
Nessa época, o espírito da renovação toma conta do íntimo de qualquer um e colocar para fora as expectativas mais simples ou até “impossíveis” pode ser uma maneira de “entregar para o universo” e esperar acontecer.
Para tanto, o complexo disponibiliza canetas e pequenos pedaços de papéis em formato de folha, para que todos possam escrever seus sonhos. Assim que anotam os pedidos, os passeantes penduram as folhinhas em linhas de barbante distribuídas pela mini-árvore.
Além disso, o estoque de papeizinhos precisa ser reabastecido várias vezes por dia, diante de tanta saída. Nas últimas semanas, inclusive, tem sido difícil achar espaço para depositar anseios no exemplar, que está carregado de metas, intenções e até desabafos da mais profunda intimidade.
Desejos íntimos na árvore dos sonhos
A reportagem do Jornal Midiamax esteve no local para conferir de perto quais os anseios de quem expressa esperança na árvore dos sonhos do Bioparque Pantanal. Em conversa com os visitantes, foi possível constatar que a superlotação de desejos expõe, de certo modo, o quanto os campo-grandenses e demais turistas de todos lugares vivem um momento de ambições e propósitos.
Alguns assinam seus nomes, outros não. Entre as folhas, há de tudo: declarações de amor, manifestações de riqueza, fama e luxo. Os recordes de pedidos envolvem paz, saúde e bênçãos para as famílias em 2025, mas, também se destacam o número de desejos de pessoas que querem fazer medicina – são muitos, incontáveis.
Isso ocorre porque quem mais gosta de escrever na árvore são as crianças e os adolescentes de escola. Por isso, tantos desejos genuínos se fazem presentes. “Completar a escola e a faculdade e minha vó estar viva“, “Eu quero casar com a Maria Luisa”, “Casar, ter um filho e ir para o céu”, “Ser rica, ganhar mais de R$ 2,5 milhões por mês”, “Ser youtuber” e “Ser famosa” foram algumas aspirações encontradas pela reportagem.
Mas o espaço também abriga intimidades que doem na alma. “Meu sonho é que meu pai pare de beber. Amém”, “Que o Murillo pare de fumar e encontre a mulher dos sonhos” e “Talvez um dia eu consiga ser quem eu realmente sou, sem me sentir julgada por mim” são alguns exemplos de pedidos mais sensíveis.
Emoção toma conta
A administradora Isaura Campos, de 40 anos, era uma das visitantes que escrevia para a árvore enquanto a reportagem estava no local. Ao MidiaMAIS, ela contou o que pediu.
“Quero minha família toda completa em 2025 e com muita saúde. Depositei aqui minha fé e esperança por um ano melhor, cheio de prosperidade e coisas boas. 2024 foi um ano triste para mim, estou esperançosa para o que vai começar. Árvore representa a vida, a natureza, conexão, tudo de bom que o mundo nos dá”, declarou.
Além dela, uma menina de 10 anos se emocionou e foi às lágrimas ao expor o desejo que pendurou na árvore. “Queria que meus pais tivessem a casa que eles sempre quiseram”, disse a pequena moradora do bairro Villas Boas. “Eu acho lindo”, disse a mãe da garota, ao saber qual o sonho da filha.
O que acontece com os papeis quando a árvore lota?
Enquanto a equipe do Jornal Midiamax esteve no complexo, mais de 50 pessoas passaram pela árvore de desejos e depositaram seus pedidos. Ao MidiaMAIS, a diretora-geral do Bioparque Pantanal fala sobre o projeto, intitulado “Plantando Sonhos”. A ideia partiu dela, com o intuito de gerar engajamento dos visitantes de forma lúdica, se valendo de algo que remetesse à natureza.
Segundo ela, a ação é permanente e está presente no Bioparque desde a abertura ao público. “Temos uma imensa adesão ao projeto, a árvore vive cheia de desejos e é constantemente renovada“, pontua.
Quando a renovação ocorre, os papeis com as aspirações dos visitantes são reaproveitados pelo Núcleo de Educação Ambiental (NEA) do Bioparque Pantanal para atividades pedagógicas com estudantes e público geral. E o destino dos bilhetes é mais do que justo e simbólico: “Já foram criados papeis artesanais e fantasias para contação de história”, revela a diretora.
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