• Quarta, 01 de Julho de 2026

Com um terço do previsto, Capital finalmente terá novos leitos pediátricos

Dez novas vagas serão disponibilizadas na Santa Casa, que deve receber apoio de pediatras da prefeitura para garantir o atendimento

CORREIO DO ESTADO / NERI KASPARY


Na manhã desta quinta-feira havia 19 crianças nas UPAs e Centros Regionais de Saúde à espera de vaga hospitalar - Gerson Oliveira

Pouco mais de uma semana depois do prazo inicialmente previsto, que era quinta-feira da semana passada, finalmente serão oferecidas, a partir de amanhã, novas vagas para internação de crianças vítimas de problemas respiratórios provocados principalmente pelo vírus sincicial. 

A previsão inicial da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) era contratar 30 leitos clínicos e até dez vagas em UTI. Porém, serão apenas dez vagas, todas na Santa Casa de Campo Grande. E isso somente será possível porque a Sesau se comprometeu a ceder pediatras para auxiliar no atendimento no hospital. 

Esse número de vagas supre somente parte da necessidade. Na manhã desta quinta-feira (13), por exemplo, havia 19 crianças na fila de espera por internação em hospital. No final de março, esta fila  tinha diariamente uma média de 40 crianças, indicando que o pior momento do surto já passou.

Hospitais como São Lucas, Unimed e Cassems nem mesmo participaram do chamamento público para disponibilizar vagas à prefeitura porque também estão com o setor de pediatria lotado em decorrência do surto de doenças respiratórias que atinge Campo Grande. 

A esperança inicial era conseguir até 30 vagas no hospital El Kadri. Porém, a instituição, apesar de ter estrutura, não conseguiu apresentar a Certidão Conjunta de Débitos relativos a Tributos Federais e à Dívida Ativa da União e também não tinha a Certificado de Regularidade do FGTS. Por isso, nem mesmo apresentou proposta para atender ao chamamento público da prefeitura. 

Esta abertura de dez novas vagas a partir de amanhã chega num momento em que a situação já está menos crítica. Dados divulgados na última segunda feira revelam que entre os dias 3 e 9 de abril foram 27.278 consultas médicas de adultos e crianças na rede pública nas seis UPAs e quatro Centros Regionais de Saúde. Isso representa queda da ordem de 18% na comparação com os 33.491 atendimentos nos sete dias anteriores.

Entre as crianças a melhora foi ainda mais expressiva.  Entre os dias 27 de março e 02 de abril, por exemplo, foram 9.346 atendimentos pediátricos. Agora, entre 3 e 9 de abril, foram 6.998 atendimentos (4.028 sintomáticos respiratórios e 2.970 assintomáticos respiratórios), o que representa redução de quase 25%. 

E, além da redução gradativa no número de atendimentos, o estado de saúde das crianças está menos grave. De acordo com o médico Leonardo Monteiro, Coordenador de Urgências da Sesau, até o final de março, 18% das crianças que chegavam com problemas respiratórios precisavam de internação e de oxigênio para auxiliar na respiração. Agora, este percentual caiu para 15%, segundo ele. Em épocas normais, o índice é de apenas 9%. 

Por conta destes números, segundo ele, “podemos dizer que a situação está melhorando gradativamente, mas o surto está longe de acabar”. Ele acredita que somente no final de maio as síndromes respiratórias entre crianças devam voltar à normalidade. Por isso, explica, ainda existe a necessidade de abertura de leitos na rede privada. 



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