Em foco
Com um terço do previsto, Capital finalmente terá novos leitos pediátricos
Dez novas vagas serão disponibilizadas na Santa Casa, que deve receber apoio de pediatras da prefeitura para garantir o atendimento
CORREIO DO ESTADO / NERI KASPARY
Pouco mais de uma semana depois do prazo inicialmente previsto, que era quinta-feira da semana passada, finalmente serão oferecidas, a partir de amanhã, novas vagas para internação de crianças vítimas de problemas respiratórios provocados principalmente pelo vírus sincicial.
A previsão inicial da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) era contratar 30 leitos clínicos e até dez vagas em UTI. Porém, serão apenas dez vagas, todas na Santa Casa de Campo Grande. E isso somente será possível porque a Sesau se comprometeu a ceder pediatras para auxiliar no atendimento no hospital.
Esse número de vagas supre somente parte da necessidade. Na manhã desta quinta-feira (13), por exemplo, havia 19 crianças na fila de espera por internação em hospital. No final de março, esta fila tinha diariamente uma média de 40 crianças, indicando que o pior momento do surto já passou.
Hospitais como São Lucas, Unimed e Cassems nem mesmo participaram do chamamento público para disponibilizar vagas à prefeitura porque também estão com o setor de pediatria lotado em decorrência do surto de doenças respiratórias que atinge Campo Grande.
A esperança inicial era conseguir até 30 vagas no hospital El Kadri. Porém, a instituição, apesar de ter estrutura, não conseguiu apresentar a Certidão Conjunta de Débitos relativos a Tributos Federais e à Dívida Ativa da União e também não tinha a Certificado de Regularidade do FGTS. Por isso, nem mesmo apresentou proposta para atender ao chamamento público da prefeitura.
Esta abertura de dez novas vagas a partir de amanhã chega num momento em que a situação já está menos crítica. Dados divulgados na última segunda feira revelam que entre os dias 3 e 9 de abril foram 27.278 consultas médicas de adultos e crianças na rede pública nas seis UPAs e quatro Centros Regionais de Saúde. Isso representa queda da ordem de 18% na comparação com os 33.491 atendimentos nos sete dias anteriores.
Entre as crianças a melhora foi ainda mais expressiva. Entre os dias 27 de março e 02 de abril, por exemplo, foram 9.346 atendimentos pediátricos. Agora, entre 3 e 9 de abril, foram 6.998 atendimentos (4.028 sintomáticos respiratórios e 2.970 assintomáticos respiratórios), o que representa redução de quase 25%.
E, além da redução gradativa no número de atendimentos, o estado de saúde das crianças está menos grave. De acordo com o médico Leonardo Monteiro, Coordenador de Urgências da Sesau, até o final de março, 18% das crianças que chegavam com problemas respiratórios precisavam de internação e de oxigênio para auxiliar na respiração. Agora, este percentual caiu para 15%, segundo ele. Em épocas normais, o índice é de apenas 9%.
Por conta destes números, segundo ele, “podemos dizer que a situação está melhorando gradativamente, mas o surto está longe de acabar”. Ele acredita que somente no final de maio as síndromes respiratórias entre crianças devam voltar à normalidade. Por isso, explica, ainda existe a necessidade de abertura de leitos na rede privada.



