• Quarta, 01 de Julho de 2026

Preparação para viver Jesus na via-sacra envolve oração e jejum

Pedro Henrique conta com orgulho a honra de viver Jesus por um dia, durante a encenação; para Amanda Gomes, que representou Maria, o sentimento é de gratidão pela fé fortalecida na Páscoa

CORREIO DO ESTADO / KETLEN GOMES


Fiéis encenam a via-sacra, trajeto que foi percorrido por Jesus carregando a cruz, desde o Pretório até o Calvário, onde faleceu - Gerson Oliveira

No início da noite de Sexta-Feira Santa (7), fiéis do Bairro Moreninhas fizeram a tradicional via-sacra para relembrar a paixão e a morte de Cristo. Para viver Jesus e Maria na encenação da Paixão de Cristo, os paroquianos fizeram jejum, oração e até exercícios para ter condicionamento físico durante toda a procissão. 

Segundo o coordenador da pastoral da Comunidade São Pedro, Severiano Ayala, a Tríduo Pascal inicia-se na Quinta-Feira Santa, com a eucaristia, e encerra-se no Sábado de Aleluia, com a vigília pascal, que é a reafirmação comunitária da fé na ressurreição. 

“É uma vigília mais longa, tem a inserção do Sírio Pascal, que é aceso, e esse Sírio Pascal é utilizado durante todo o ano nas comemorações da igreja”, comentou Ayala. 

A paróquia realiza há mais de 30 anos a encenação da via-sacra. O coordenador de pastoral da Comunidade Nossa Senhora das Graças, Fábio Morelli, relata que é uma alegria reviver os passos de Jesus. Os jovens da paróquia são os atores e responsáveis pela Paixão de Cristo. 

Pedro Henrique Lins é intérprete de Jesus pela primeira vez na via-sacra. Apesar de já ter feito o papel de Cristo em outros momentos, quando participou de um grupo de dança, o jovem cristão relata que fez muitas orações e exercícios para ter um bom condicionamento físico durante todo o trajeto.

“Teve tanto preparação física quanto mental, principalmente com muita oração. Ainda precisamos nos preparar para aguentar bastante tempo em cima do caminhão, andando e carregando a cruz”, disse. 

O jovem ainda relatou que participou de missões durante a preparação, para fortalecer a união com a comunidade, antes de viver Jesus Cristo. “Não tem explicação fazer parte da via-sacra, é algo inacreditável para mim. Passar o amor de Jesus, a gente sabe que não vai ser nem um terço do que ele sofreu, então é um momento de muita emoção e fé”, salientou. 

Já Amanda Gomes, que vive Maria pela primeira vez na via-sacra, já participou da apresentação outras duas vezes, mas representando outras figuras sagradas. 

“Para nós, católicos, tem muito significado o amor de Maria. Nós dizemos que o que Jesus sentiu na carne ela sentiu na alma, então é um sentimento de angústia, de pesar, pois sentimos e passamos em menor escala o pensamento da morte de um filho”, afirmou a jovem. 

PREPARAÇÃO

Para a preparação, Amanda fez uma reflexão sobre o amor de Cristo, sobre a dor de Maria e o jejum no período da quaresma, abstraindo-se de coisas que poderiam causar o seu sofrimento. “Fiz bastante oração, claro, para pedir a Jesus que eu sentisse isso que Maria sentiu naquele dia”, explica a paroquiana. 

O padre Jucilândio, que fez o sermão da Adoração da Cruz nesta Sexta-Feira Santa, relata que a data é importante justamente pela fé que os fiéis têm em Cristo. “Nós acreditamos em um Deus que entrou na nossa história, e de uma forma concreta deu a vida por cada um de nós. Então, a Sexta-Feira da Paixão é o dia em que nós, católicos, damos os mesmos passos que Nosso Senhor deu, de uma forma sacramental, para que possamos perceber que fomos salvos por um Deus”, complementou o padre. 

PÚBLICO

Este é o segundo ano da apresentação após o período de restrições em virtude da pandemia de Covid-19. O público, de cerca de 600 pessoas, esteve presente na Adoração da Cruz, dentro da igreja, e na procissão da via-sacra mesmo com a chuva nesta sexta-feira. 

Diva Maria tem 63 anos e esteve com a família na paróquia para prestigiar mais um ano da Paixão de Cristo. Ela é moradora do Bairro Moreninhas e frequenta a igreja desde que ela foi construída. 

“A gente vem retribuir a vida que Ele [Jesus] deu para nós, que Ele morreu por nós, por nossos pecados. É o momento de a gente agradecer o sacrifício que ele fez por nós”. 

Agenor da Silva também esteve com toda a família na celebração. José Arthur, de oito anos, é filho dele e esteve pela segunda vez acompanhando a via-sacra. Unida pela fé, a família, que sempre que pode está na igreja, foi agradecer as bênçãos que recebeu nos últimos anos. 

O padre Jucilândio informa que boa parte da comunidade traz nesse retorno das atividades na igreja o sentimento de gratidão.

“Os fiéis estão retornando aos poucos às suas práticas, às suas devoções e orações, e a gente percebe que eles estão retornando com amor e com sinal de gratidão por esses momentos vivenciados nesses últimos dois anos”, finalizou. 

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